quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Soneto

Luiz Camões



O amor é fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento desconte;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre agente;
É um nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder;

É querer está preso por vontade;
É servir o que vence o vencedor;
É ter com que nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Noas corações humanos amizade;
Sé tão contrário assim é o mesmo amor?



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